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Epagri inicia estudo para a produção comercial do limão japonês em Santa Catarina

Foto: Divulgação/OgonNoMuraA Epagri vai desenvolver um estudo para avaliar a adaptabilidade e o desempenho do cultivo do limão Yuzu em Santa Catari...

20/03/2026 15h05
Por: Redação Fonte: Secom SC
Foto: Reprodução/Secom SC
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Foto: Divulgação/OgonNoMura

A Epagri vai desenvolver um estudo para avaliar a adaptabilidade e o desempenho do cultivo do limão Yuzu em Santa Catarina e abrir caminho para a produção comercial da espécie no estado. A fruta é nativa da China, mas é conhecida como limão japonês pela sua popularidade no Japão, em especial na gastronomia. O potencial mercadológico do Yuzu é bastante promissor. 

Nesta quinta-feira, 19, a empresa assinou, em Florianópolis, um acordo de cooperação com a companhia Ogon No Mura, do Japão, fabricante de uma série de produtos à base de Yuzu. A parceria prevê acesso dos pesquisadores da Epagri ao germoplasma (material genético) de plantas originais dos pomares da empresa japonesa, localizados na província de Tokushima. Para a Ogon No Mura, o interesse é ampliar a produção para atender a demanda de seus mercados. 

Assinaram o acordo o presidente da Epagri, Dirceu Leite, o secretário da Agricultura e Pecuária, Admir Edi Dalla Cort, o secretário da Ciência, Tecnologia e Inovação, Edgard Usuy, o fundador e diretor de expansão da Ogon No Mura, Koji Kamiyo, o diretor comercial, Shigeru Ohara, e a representante para o projeto no Brasil, Elina Onaka. 

Dirceu Leite destacou o trabalho da Epagri de criar oportunidades aos produtores, visando ao desenvolvimento econômico e social do estado. “Queremos trazer novas culturas para dar novas possibilidades aos agricultores e esperamos que o limão Yuzu seja uma delas”. Ele reforçou ainda o modelo agrícola catarinense, baseado na agricultura familiar.

O secretário Admir Edi Dalla Cort também falou da importância do estado buscar parcerias em benefício das atividades agropecuárias. “Santa Catarina é um estado referência no agronegócio brasileiro, com uma agricultura muito diversificada e com um povo que tem uma grande admiração pela cultura japonesa. Estamos de braços abertos a esta parceria”, disse Dalla Cort.

Após os resultados obtidos pelo estudo da Epagri, o registro do cultivar poderá ser realizado junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Só então, o setor produtivo poderá ser beneficiado com o estabelecimento de um sistema de produção para o limão Yuzu, visando a sua exploração comercial para extração de suco e subprodutos, como óleos essenciais. 

Foto: Reprodução/Secom SC
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Condições climáticas e cultura

A pesquisa vai avaliar o potencial de cultivo do Yuzu especialmente nas áreas mais altas e frias de Santa Catarina, devido às condições climáticas que se aproximam a de Kito, vila de Tokushima onde se localizam os pomares da Ogon No Mura. As temperaturas no local variam de -10º a 40º, de alta amplitude térmica, situação semelhante na região serrana catarinense.

Outro fator é a existência de colônias de imigrantes japoneses, que têm um modo de produção parecido ao de Kito, como Frei Rogério, no Meio-Oeste catarinense. É no município que será implantado um dos pomares experimentais, na propriedade de Ernesto Eisaku Onaka. Hoje, o agricultor cultiva alho, pêssego, aspargo e goiaba-serrana em 16 hectares. A expectativa de incluir uma nova cultura está nos planos de Onaka.

A engenheira-agrônoma Luana Castilho Maro, pesquisadora da Estação Experimental da Epagri em Itajaí e coordenadora do estudo, explica que hoje não há registro do Yuzo no Mapa. Isso quer dizer que não existe autorização para o plantio da espécie no Brasil. “O acesso direto ao recurso genético e a celeridade no processo de importação de uma espécie perene é o maior benefício do acordo”, destaca a pesquisadora. 

O material genético que será importado do Japão passará por quarentena no Instituto Agronômico de São Paulo (IAC), para garantir que não haja nenhum risco de introdução de doenças. Durante a permanência no IAC serão feitos os enxertos que, após a liberação, serão enviados para a Estação Experimental de Itajaí, onde o material genético será introduzido ao banco de germoplasma da empresa, um dos maiores do Brasil. 

Paralelamente, parte das mudas procedentes do material importado serão distribuídas para os ensaios de adaptação, divididos em três locais: Itajaí, São Joaquim e Frei Rogério. Segundo Luana, o objetivo de testar no litoral é entender também como o material se comporta na condição de clima mais quente. A expectativa é que o estudo esteja concluído em um prazo de quatro a cinco anos. 

Foto: Reprodução/Secom SC
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“Só depois de confirmarmos a adaptabilidade e termos o registro desse material no Ministério da Agricultura, os produtores que tiverem interesse vão poder produzir comercialmente o Yuzu e os viveiristas poderão vender as mudas”, ressalta Luana. Durante o período da pesquisa será feito um intercâmbio de informações técnicas acerca do cultivo da espécie com a região produtora de Tokushima. 

Luana explica que a adaptação do Yuzu nas condições de clima e solo de Santa Catarina pode redesenhar o cultivo de citros no estado, até então restrito à áreas sem ocorrência de geadas. “A região serrana é considerada a única inapta para a exploração comercial de citros. O Yuzu, diferentemente da laranja, da lima, dos limões verdadeiros e até mesmo das tangerinas, que apresentam maior tolerância ao frio, suporta amplitude térmica de 50ºC”. 

De acordo com o empresário Koji Kamiyo, a meta da Ogon No Mura é implantar 100 hectares de Yuzu no projeto inicial e ampliar para mil hectares a longo prazo. “Acreditamos muito no potencial deste mercado”, destacou. A empresa fatura anualmente US$3 milhões e direciona 40% da sua produção para o mercado externo, com ampliação das vendas para a França e os Estados Unidos. 

Para o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Epagri, Reney Darrow, o grande diferencial do acordo para trazer o Yuzu ao Brasil é o encadeamento do cultivo com a comercialização da produção. “Essa garantia nos dá mais segurança em investir no conhecimento e desenvolvimento deste cultivo. Nosso objetivo é fazer o produtor prosperar”, conclui.

Por: Cléia Schmitz, jornalista bolsista na Epagri/Fapesc

Mais informações e entrevistas
Luana Castilho Maro, pesquisadora da Estação Experimental da Epagri em Itajaíe coordenadora do estudo
(48) 3398-6352

Informações para a imprensa
Isabela Schwengber, assessora de comunicação da Epagri
(48) 3665-5407/99661-6596

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