Foto: Antonio Prado/FCEE
A Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE) dá mais um passo significativo no fortalecimento dos serviços especializados ofertados no âmbito da Educação Especial. Por meio do Centro de Educação Física e Cultura, a FCEE iniciou nos meses de maio e junho dois grupos de estudos na modalidade EaD destinados a educadores/musicoterapeutas dos Centros de Atendimento Educacional Especializados (Caesps): o primeiro denominado de Musicoterapia na Educação Especial – Formação, Prática e Pesquisa, coordenado pela musicoterapeuta Camila Fernandes Figueiredo; e o segundo Estudos sobre dança e deficiência, ministrado pela professora de dança Lara Matos. Ambos estão previstos para finalizar entre setembro e novembro.
Com carga horária de 75 horas, distribuídas no período de 3 de junho a 18 de novembro, Musicoterapia na Educação Especial – Formação, Prática e Pesquisa tem como objetivo oromover reflexões sobre as diretrizes, o funcionamento, a organização e as especificidades do serviço de Musicoterapia no âmbito da FCEE e nas instituições parceiras especializadas, bem como fomentar a pesquisa na área.
Avanços da Musicoterapia no Brasil
De acordo com Camila Fernandes: “o grupo de estudos se insere em um contexto de avanços importantes para a Musicoterapia no Brasil, especialmente após a regulamentação oficial da profissão, por meio da Lei nº 14.842, de 11 de abril de 2024, que conferiu à categoria respaldo legal, fortalecendo sua presença nas políticas públicas, tanto na saúde quanto na educação e na assistência social.”
A musicoterapeuta destaca ainda que a atuação do musicoterapeuta na educação especial é uma realidade consolidada na FCEE, especialmente no que se refere ao serviço prestado nos Caesps e nas instituições parceiras em todo o estado. “Contudo, a consolidação desse serviço exige não apenas a atuação prática, mas também a reflexão teórica, a pesquisa e a definição clara de diretrizes que sustentem a Musicoterapia como um serviço técnico, especializado e alinhado às necessidades da política de educação especial”, destaca Camila.
A ministrante reforça que o grupo de estudos foi elaborado justamente para atender a essa demanda, que emerge tanto dos profissionais quanto das próprias instituições que reconhecem a importância de compreender, fortalecer e qualificar a atuação da Musicoterapia na perspectiva da educação especial.
Benefícios da musicoterapia
De acordo com estudos, a Musicoterapia oferece diversos benefícios para pessoas com deficiência, incluindo a melhoria da comunicação e expressão, o desenvolvimento de habilidades cognitivas e motoras, e o estímulo do bem-estar emocional. A música pode atuar como uma ferramenta de comunicação não verbal, facilitando a interação social e a expressão de sentimentos em pessoas que podem ter dificuldades na comunicação verbal. Além disso, a Musicoterapia pode auxiliar no desenvolvimento de habilidades como atenção, concentração e coordenação motora, além de promover o bem-estar emocional e reduzir o estresse e a ansiedade.
Musicoterapia enquanto serviço especializado
“Mais do que uma ação pontual, o grupo de estudos representa uma etapa fundamental de um processo contínuo, que visa a garantir que a Musicoterapia, enquanto serviço especializado, seja compreendida em sua totalidade — não como atividade complementar, mas como parte integrante e indispensável dos serviços de apoio previstos nas diretrizes da educação especial”, diz Camila Figueiredo.
Ela destaca ainda que ao reconhecer a importância desse serviço, a FCEE reafirma que o atendimento educacional especializado deve ser realizado por profissionais devidamente habilitados, em consonância com a regulamentação da profissão e com as normativas institucionais que norteiam as práticas inclusivas.
“Este movimento também revela o papel protagonista que Santa Catarina exerce no cenário nacional, ao estruturar políticas e práticas que valorizam e fortalecem os serviços especializados, demonstrando na prática que inclusão não é apenas discurso, mas compromisso efetivo, materializado em ações como essa”, conclui a musicoterapeuta Camila Fernandes Figueiredo.
Grupo de estudos sobre dança e deficiência
Assim como a Musicoterapia, a Dança oferece inúmeros benefícios para pessoas com deficiência, incluindo melhorias na mobilidade, força, equilíbrio, coordenação, consciência corporal e autoestima. Além disso, a Dança promove a inclusão social e pode ser uma forma de expressão artística e terapêutica.
O Grupo de Estudos sobre Dança e Deficiência, oferecido pelo Cefic, da FCEE – destinado a educadores dos Centros de Atendimento Educacional Especializados (Caesps) – tem por objetivo promover o debate sobre a pessoa com deficiência na dança e as potencialidades da dança como recurso na educação especial, a partir da pesquisa sobre a história da inclusão na dança, buscando encontrar práticas e estratégias que possam ser sistematizadas em material didático.
Inclusão da Dança na Educação Especial
Proferido pela professora de dança do Cefic, Lara Matos, o grupo de estudos tem a carga horária de 48 horas e será realizado entre maio e setembro. A dança pode ser uma ferramenta poderosa para promover aprendizagem, socialização e autonomia.
“Ao investigar a história da acessibilidade na dança e explorar o uso de tecnologias assistivas, buscamos contribuir para práticas pedagógicas mais equitativas, que respeitem e valorizem as singularidades de cada educando. Dessa forma, o projeto se torna relevante tanto para educadores quanto para artistas e pesquisadores que desejam ampliar as possibilidades de ensino e aprendizagem na educação especial, promovendo uma dança verdadeiramente acessível e transformadora”, completa a justificativa documental do grupo de estudos.
“O grupo de estudos tem qualificado o meu trabalho”
Para a cursista Maria Paula, professora de Artes da Apae do município Pouso Redondo, participar do grupo de estudos que enfoca estudos sobre dança e deficiência tem qualificado o seu trabalho. “É o meu primeiro ano sendo professora de alunos com deficiência, então esse grupo de estudos está sendo bastante útil. Agora, no segundo semestre, eu e meus educandos já teremos espaço para duas apresentações de dança. Então, este conhecimento tem auxiliado muito neste processo”.
Além da produção de apresentações artísticas, Maria Paula destaca que o grupo de estudos da FCEE está permitindo que ela perceba, no dia a dia, os benefícios junto aos seus educandos como a melhoria da coordenação motora e comunicacional.
De acordo a professora de dança, Lara Matos, o foco dos estudos visa dar ferramentas para que os professores de artes das Apaes criem possibilidades e envolvam seus educandos para que eles possam se sentir à vontade em se expressar com a arte da dança respeitando a individualidade de cada um. “Que durante a prática do grupo de estudos, que o educando com deficiência possa conhecer e entender o próprio corpo e conseguir expressar suas emoções, suas vontades, por intermédio da dança. Que possa entender também a relação com o corpo do outro na dança por meio da socialização da música”, diz.
A dança como autoexpressão
Segundo Lara os professores participantes têm relatado que, a partir dos encontros do grupo de estudos, têm sentido mais à vontade para levar a dança, para experimentar com esses educandos, e têm obtido resultados no sentido de que os educandos estão participando, estão reconhecendo esse espaço como um lugar possível, que eles possam habitar, que é a dança.
“É fundamental que a pessoa com deficiência possa ver a dança como uma possibilidade de auto expressão, uma possibilidade de socialização, possa ver como uma linguagem em que ela pode dialogar com o mundo, por intermédio do próprio corpo”, destaca Lara, que enfatiza que muitas vezes a pessoa com deficiência é interpretada, erroneamente, como não encaixada em um padrão, dando a ideia que ela não está apta ou não pode habitar o mundo da dança.
“E nos últimos anos, entretanto, estamos convencidos de que pessoas com deficiência podem sim integrar e habitar o mundo da dança. Elas têm uma dança própria como linguagem e por isso temos que permitir que essa pessoa possa mostrar suas possibilidades, as suas vontades e suas suas expressões individuais por meio da dança.”
Informações adicionais à imprensa
Ascom/FCEE
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