Com autorização da certificação que passa a ser feita em SC, produtores não precisam mais enviar a fruta ao RS antes do embarque para outros países – Foto: Ricardo Trida / SECOM
Com condições climáticas favoráveis, a safra 2025/2026 da maçã está alcançando bons resultados e a projeção é que a exportação da fruta produzida em Santa Catarina fique em torno de 20 mil toneladas. Mas há uma outra novidade boa nesta safra. A exportação da fruta ficou mais fácil. Agora, as maçãs já podem ser certificadas em São Joaquim e Fraiburgo por auditor fiscal federal agropecuário do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e prosseguir para transporte até o importador por meio dos portos catarinenses.
Os produtores do estado, por exemplo, podem escolher embarcar a carga pelo Porto de Imbituba, o mais próximo. Além dos ganhos pelo corte de custos, a redução do tempo de espera em terminal portuário representa mais dias de vida útil para a carga, que é perecível, em mais uma vantagem competitiva para a produção de Santa Catarina.
Anteriormente, as empresas precisavam levar a carga de maçãs até Vacaria, no Rio Grande do Sul, para passar por essa avaliação. A outra alternativa era levar a carga até o porto de Itajaí e lá aguardar a certificação fitossanitária. As duas opções geravam mais custo aos produtores com o transporte ou com as diárias para manter o container armazenado até a liberação da carga.
“Faz 20 anos que os produtores pediam isso. A gente foi atrás e fez acontecer. Não tinha sentido Santa Catarina ser o maior produtor de maçã do Brasil e mandar a carga pro estado vizinho. Isso atrasava a exportação, era mais uma burocracia pra vencer. No que o Estado puder ajudar e ser parceiro, a gente vai ser. Agora a maçã catarinense vai chegar ainda mais saborosa pro mundo inteiro”, destacou o governador Jorginho Mello.

Em São Joaquim, um dos principais polos do cultivo, já foram certificadas localmente 530 toneladas da fruta nesta safra. Para o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, essa mudança na certificação fitossanitária na origem representa um avanço importante para a competitividade do setor.
“Com essa descentralização no processo de certificação da maçã, reduzimos custos logísticos, ganhamos eficiência e ampliamos a qualidade do produto que chega ao mercado internacional. É uma conquista construída em parceria, que fortalece toda a cadeia produtiva e impulsiona ainda mais a economia de Santa Catarina”, afirmou.
A mudança foi negociada entre o Governo de Santa Catarina e o Ministério da Agricultura e Pecuária no ano passado. Na ocasião, foram apresentadas as vantagens do ponto de vista logístico e os impactos para a economia catarinense. Os ganhos serão mais perceptíveis nesta safra, em que houve produção mais volumosa em relação à 2025.
“O governador Jorginho Mello tirou esse sonho do papel. As empresas há muito tempo já nos pediam essa medida. Isso diminuiu o custo da carga por container e ganhamos 15 dias de vida útil comercial para a maçã. Além de São Joaquim, esse processo também será feito em Fraiburgo”, ressaltou a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos.

A certificação sanitária é uma exigência feita pelos países importadores e visa garantir que a carga vegetal não contenha pragas. A sanidade vegetal é um dos fatores para o sucesso da maçã catarinense no mercado internacional e as ações de defesa sanitária conduzidas pela Cidasc têm papel decisivo neste quesito.
Um dos melhores exemplos da eficácia do trabalho da Cidasc é a erradicação daCydia pomonella, uma das pragas mais danosas para a pomicultura. O agente causador é uma mariposa (conhecida popularmente como traça da maçã), que deposita dentro da fruta ovos do qual eclodem larvas, prejudicando o desenvolvimento da maçã. Para erradicar a praga, os profissionais da Cidasc fizeram uma grande ação de monitoramento da presença mariposa, com instalação de armadilhas, e corte de árvores atingidas pela praga.
Em relação à pomicultura, a Cidasc mantém também ações para o controle do cancro europeu das pomáceas, causada pelo fungoNeonectria ditissima.Diferentemente daCydia pomonella, que ataca diretamente os frutos, esta praga afeta troncos, ramos e frutos da macieira. Com o tempo, a doença provoca a morte de partes da planta, afetando sua capacidade produtiva. O cancro europeu é considerado sob controle em Santa Catarina.
Além de realizar ações de monitoramento e orientar os produtores rurais, a Cidasc também atua na fiscalização das cargas de interesse agropecuário, para evitar a introdução destas e de outras pragas. A recomendação para produtores e para a comunidade em geral é não trazer sementes, plantas ou partes de plantas em viagens e adquirir mudas em comércio regularizado. Para a implantação de um pomar, devem ser adquiridas mudas frutíferas com certificação fitossanitária.

Santa Catarina é responsável por mais da metade da produção nacional de maçãs, de mais de um milhão de toneladas/ano. Nesta safra, a estimativa é colher nos pomares catarinenses mais de 265 mil toneladas de maçã gala e mais de 234 mil toneladas da variedade fuji. Além do aumento no volume, houve ganhos na qualidade das frutas, superior à registrada na safra anterior.
A Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM) calcula que o consumo doméstico da fruta in natura é em torno de 750 mil toneladas por ano. A exportação é importante para os produtores, sobretudo quando há grandes safras, pois ajuda a manter uma boa média de preço quando a oferta de maçãs aumenta. A ABPM estima que as vendas ao exterior poderiam ser ainda maiores em 2026, se não fosse o conflito em curso no Oriente Médio, que pode impactar alguns negócios.
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